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04 novembro, 2012

Médicos, Blocos de Cimento e Sangue Mau: Resultados do Protesto "Sangue a Ferver".


Nação!

Pois é; lá aconteceu a nossa bonita acção. Este sábado, a partir das 16h, estivemos no Instituto Português do Sangue a reclamar que "o sangue gay também salva vidas" e a confirmar as dúvidas daquilo que temíamos ser realidade. 

Não éramos muitos mas conseguimos chegar à conclusão que procurávamos, infelizmente.

E porque este assunto não é um assunto simples; seja porque muita gente se recusa a acreditar que esta situação acontece de facto, ou porque ainda existem muitas pessoas que fingem que isto faz todo o sentido, achámos por bem, desta vez, deixar um testemunho pessoal. Neste testemunho contamos aquilo que se passou, passo a passo, na conversa que tive com uma médica no IPS em Lisboa este sábado. Para ficar como prova, como discussão e como história. 

Versão curta: Confirma-se, este país é um buraco e é verdade que em Portugal os homens gays não podem dar sangue. Ponto. Sem discussão absolutamente nenhuma. Os que, por acaso, o conseguem fazer, é porque ou mentem nos questionários, ou porque volta e meia têm sorte e encontram um médico que se esqueceu de seguir as políticas do Instituto. Esta é prática oficial, diga o IPS o que disser nos seus comunicados oficiais.

Aquilo que vos vou partilhar daqui para a frente foi a minha experiência pessoal deste passado sábado (3 de Novembro) na minha tentativa de doação de sangue na sede do IPS em Lisboa. 

24 junho, 2012

Bichas na Marcha! (flyer, fotos e coisas)


Nação Corajosa! (ontem, porque hoje parece que voltamos para o amário)

Ontem foi o dia da marcha de Lisboa, e nós, como tínhamos avisado, também lá estivemos. Foi um dia bonito e inspirador (como não podia deixar de ser) e as críticas que temos - porque claro que também as temos - deixam-se para um outro post; n
este o propósito é outro. 


Viram, por acaso, meia dúzia de pseudo-super-heróis ao longo da Marcha, com capas que liam "Bichas Corajosas"? 

Espero que sim; éramos nós. 

Vamos lá então falar um bocadinho sobre o que é que isto significou, as reacções que tivemos, rever o propósito do flyer e, já agora também, mostrar algumas fotos para aqueles que não puderam ir se sentirem mal (nós sabemos que a malta adora fotos). 

19 junho, 2012

As 5 Coisas que as Bichas Cobardes dizem para conseguirem dormir menos mal à noite.

Olá Nação Cobarde!

Estamos em Junho, mês do orgulho Lisboeta. Perguntamo-vos já: sabem que coisa fantástica é essa que nos espera este mês?

Não, não estamos a falar das marchas nem do Arraial. Já lá chegaremos, que sabemos que a malta fica logo toda entusiasmada ao ver esta versão (muito melhor) do cartaz da marcha que os nossos amigos do dezanove refizeram.

Estamos, sim, a falar dos muitos discursos que vamos ouvir nas próximas semanas das Bichas Cobardes contra o activismo, contra o orgulho e contra as marchas LGBTQ. Exactamente.

Malta, estamos portanto preparados para esse mar de frustração super enervante e desafiante que nos vai inundar a nossa bonita comunidade? Estamos, claro que sim!

Junho é mês do orgulho, como dizíamos lá em cima, mas em Portugal celebra-se, ainda mais do que isso, a Cobardia Lusitana. É vê-los a revirarem os olhos nas conversas sobre o activismo, irritados. E por isso, aqui no Bichas, "fomos à rua" recolher os mais usuais e fluentíssimos argumentos que as bichas anti-orgulho usam quando se acham "a coisa mais inteligente que há"!

Vejamos, de sobrancelha franzida e de punho cerrado, as 5 Coisas que as Bichas Cobardes dizem para conseguirem dormir menos mal à noite [ou, os argumentos mal cheirosos contra o activismo bonito do mês do orgulho]

20 abril, 2012

Esperança nas Escolas?

(ou: Discursos para usar em amigas bichas tristonhas)


«No outro dia fui a uma escola dar uma sessão sobre identidade de género e orientação sexual a um conjunto de miúdos dos 15 aos 22. O normal, portanto, para este tipo de sessões que a rede ex aequo faz por todo o país. Mas esta escola cá em Lisboa foi um bocadinho diferente.
Quem nos recebeu foi uma professora que já conhecia o nosso trabalho e que depois de uma breve conversa me explicou que era uma lésbica assumida, que tinha inclusive dois filhos com a sua companheira (já não me lembro se eram casadas ou não) e que isso não era segredo - as pessoas, dizia, não tinham problema nenhum com isso na escola.

Hem?
Uma pessoa até fica assim meia incrédula e parva quando ouve isto. Mesmo eu, por muito positivo e optimista que já seja, ainda fico a sorrir com alguma incerteza na cara. “Mas isto passa-se a sério no meu país?”


"Sim", responderam-me os olhares dos alunos, não havia ali grandes desconfortos.

Eu explico.
Convidaram-nos no contexto de um evento que celebrava a "(in)diferença" e onde estavam presentes outras associações que representavam diferentes lutas sociais e diferentes minorias da sociedade. Os alunos eram encorajados a fazerem voluntariado e a terem um impacto positivo na sociedade através das suas acções. No meio das palestras e das apresentações dos alunos houve, por exemplo, uma turma que fez uma dança em que duas raparigas representavam um casal lésbico e a sua luta pela aceitação. No meio da actuação deram até um beijo em palco e os alunos começaram todos a bater palmas. Miúdos dos 15 aos 22 a fazerem aquilo que nós, bichas cobardes, temos tanta dificuldade em fazer. Fabuloso, não é?

"Putos" a ensinarem a outros "putos" o quão tão iguais somos todos uns aos outros. E os colegas (e os outros professores) a verem-nos, a sorrirem e a acharem aquilo uma coisa inspiradora - palmas e entusiasmo! E eu de novo a dizer a mim próprio: wow!
E pronto, é isso.

Claro que ainda havia muita coisa para esclarecer em dúvidas e preconceitos ingénuos que tivemos a oportunidade de falar durante a nossa sessão - até porque é para isso que ela existe. Mas a falta de informação não é o mesmo que a hiper desinformação - isso é que é o perigoso. E enquanto se falar e enquanto houver curiosidade, estamos nós no bom caminho.

No fim do dia é como eu costumo dizer aos meus amigos que ainda vivem nos seus armários mais-que-profundos: Às vezes o mundo é muitíssimo complicado e terrivelmente difícil de mudar..

..outras vezes não.»