11 agosto, 2015

Esqueçam tudo o que sabem, video prova que Portugal é afinal um paraíso LGBT

All right. Vamos lá falar então do video que anda por aí a circular na internet em tudo o que é canal LGBT internacional sobre um casal gay português que se filmou a andar de mão dada pelas ruas de Lisboa e quer provar que já não existe homofobia em Portugal. Devemo-nos todas derreter de orgulho por vivermos num país tão incirvelmente CIVILIZADO e PROGRESSIVO, ou vale a pena vermos para além do óbvio para perceber a validade disto tudo?

Ponto 1. Estamos a falar de dois gajos masculinos facilmente integrados no seu papel de género e um deles com 1,90. As maiores vítimas de violência de género e sexualidade continuam a ser as pessoas trans, mulheres, pessoas não binárias, pessoas com expressões de género não normativas e imigrantes ou de minorias étnicas. Basicamente este casal não cabe em nenhuma dessas identidades ou expressões. É perfeitamente normal que mesmo que as pessoas se sentissem com vontade de interagir negativamente com eles, o facto de serem dois homens masculinos e altos seja um factor altamente dissuasor. Hell, espetem bâton e uma saia num deles e vejam a velocidade com os insultos surgiam. Acontece todos os dias.

Ponto 2. Lugares como o Chiado, Rossio e o Parque das Nações (a maior parte dos lugares no video) não são nem reflexo do resto de Lisboa, nem reflexo do resto de Portugal. A experiência de um casal do mesmo sexo no Vasco da Gama não é reflexo absoluto nenhum de uma vivência LGBT em Portugal. É perguntar a todas as pessoas que vivem em lugares que não os do video. Até porque..

Ponto 3. A mulher lésbica que há 7 meses atrás foi espancada no Porto por um taxista em plena Praça da República não vivia também neste país miraculosamente inclusivo? Temos a memória assim tão curta?

Ponto 4. Olhando para o conteúdo que o canal que fez o video produz, é claro que o seu focus é em mensagens "sexys" (de Marketing sexy: simples, divertido, fácil de digerir) e sexualizado de e para homens gays (não necessariamente mais LGBT abrangente que essa população). Não surpreende portanto que uma óptica queer, trans, feminista, interseccional faça parte do discurso do Pedro e do Lorenzo nem necessariamente da sua forma de ver a discriminação em Portugal.

Ponto 5. Videos como este, que não têm um grande parentises no fim a explicar que aquela não é uma situação representativa nem universal porque existe uma enorme diversidade de identidades LGBT e de discriminações associadas a essas vivências de que nenhum dos dois personagens é vítima, servem apenas como falsas provas na narrativa do "as coisas até estão bem", "até se pode andar na rua", "vês, já nem há discriminação". E acaba por servir apenas para invalidar as experiências de violência e discriminação que todos os dias lutamos para visibilizar.

Conclusão:
Sim, é menos provável que dois gajos masculinos de mãos dadas sejam assediados e agredidos no centro de Lisboa numa tarde de verão em ruas cheias de gente. Não, isso não prova absolutamente nada sobre a violência homo-lésbi-transfóbica ainda existente neste país. Aliás, o avanço de uma civilização deve medir-se pela forma como trata os seus cidadãos mais vulneráveis, e não como trata aqueles que estão mais confortáveis e privilegiados, ainda que dentro de identidades minoritárias. Era ver o quão diferente seria este video se os seus personagens fossem mais "femininos", mulheres, negros ou com qualquer outra identidade menos dominante.

É a ouvir o dia-a-dia das pessoas LGBTQ que percebemos as dificuldades e a violência de que elas ainda são vítimas, especialmente quando estão sozinhas por estes recantos mais ou menos urbanos do país, e quando lhe são ainda negadas vidas plenas e acesso sem entraves à saúde, trabalho, segurança, família, etc.

Jovens LGBTQ expulsos de casa? Mulheres lésbicas e bissexuais agredidas na rua? Pessoas trans a quem é recusado trabalho, saúde e negada a identidade? Nada! O Pedro e o Lorenzo andaram de mão dada na rua no Chiado sem grandes problemas, por isso está tudo bem!

Parece bonito alimentarmos o nosso ego com a fantasia de que o país em que vivemos é um fascínio de evolução civilizacional, especialmente quando o queremos comparar a outros lugares onde a violência e a discriminação são mais imediatas e explícitas. Mas muitas vezes a homofobia e a transfobia em Portugal são apenas isso: menos imediata e menos explícita, pelo menos no que toca a homens gays. No entanto, a todas as pessoas que não são homens gays masculinos, cisgéneros e brancos tudo na sua discriminação é, pelo contrário, imediato e explícito.

E também, mesmo que em Portugal já só existissem olhares de desconforto e curiosidade face a casais do mesmo sexo na rua, não são isso também formas fortes de controlo e dominação dos espaços públicos? É que se facilmente descartamos isso num video que esperava registar violência, vale a pena então perguntarmos porque é que na ausência aparente dessa violência, qual é a razão para a maioria das pessoas LGBT* escolher viver ainda "escondida" e protegida em máscaras cis-hetero. Porque será? Porque são tontinhas e/ou cobardes? Ou porque, pelo contrário, sabem bastante bem o risco e as consequências dessa exposição? Não será porque de facto já conhecem inúmeras histórias de violência, porque sentem a insegurança na pele diariamente e porque já testemunharam e testemunham diariamente reacções negativas e micro-agressões?

Enfim. Vale a pena fazer estas perguntas antes de engolirmos narrativas fáceis de mundos perfeitos que parecem, ainda que não intencionalmente, querer invalidar vidas inteiras testemunhas de discriminação e de violência hetero e cis normativa. Até porque Portugal-utopia-arco-íris que se conheça, só mesmo talvez durante as marchas do orgulho LGBT, e mesmo assim... **

21 junho, 2015

Bicha Amiga Que Não Vens à Marcha... | Discurso Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2015



O nosso discurso este ano:

"Bicha amiga que não vens à marcha. Esta mensagem é para ti.
Que franzes os olhos quando te convidamos para te juntares à luta pelos direitos que também são teus e que reviras os olhos quando nos ouves falar de discriminação.

Bicha amiga, acredita quando te dizemos, muitas de nós já estivemos desse lado.
Quando ainda acreditávamos que a melhor forma de nos sentirmos fortes era fingir que a discriminação não existia. E que de facto o problema não era era a injustiça, mas antes os que nos davam mau nome.
Mas bicha amiga, que mau nome é esse que nós te damos?

Se perderes dois segundos a olhar na nossa direcção, e observares o mar de pessoas fabulosas e diversas que compõem esta marcha, diz-nos, o que há a recear em mais e melhor liberdade?

De que tens medo ainda bicha amiga? Que fantasmas são esses que ainda te proibem de perceber que diferente não é sinónimo de mau, que normal é apenas uma variável estatística e que mais expressões e diferentes formas de organizar os afectos apenas nos proporcionam mais caminhos para chegarmos à felicidade?

Bicha amiga que ainda não aprendeste a respeitar pronomes e a ouvir antes de falar. Explica-nos se faz, de facto, sentido insurgires-te contra o feminismo e no entanto constantemente interromperes as mulheres quando falam à tua volta e duvidas constantemente do seu mérito.

Que luta será esta se não questionarmos todos os papeis que nos impõem na sociedade?

E bicha amiga. Era casar que querias? Era o mais importante? Mais importante que os direitos das nossas crianças, mais importante que a autonomia face ao nosso corpo? Bicha amiga, mas que raio é o casamento senão uma compulsão monogamica criada para subjugar a mulher ao lugar de objecto a ser passada de pai a marido? É isso que é ter igualdade? Brincar aos heteros integrados em vez de aprendermos as diferentes formas de gerir afectos e relações de forma mais livres e sincera?

Bicha amiga, compreende que por não sofreres discriminação directa, escondida numa fachada de privilégio, isso não invalida a experiência quem não pode e não se quer esconder e luta todos os dias para levar uma vida o mais genuína possível.
Compreende que podemos ser simultaneamente discriminados e opressores, e activamente propagarmos comportamentos que nos oprimem.

Mas bicha amiga, esta é uma mensagem de esperança. É uma sugestão para que pares, penses e olhes à tua volta. Que vejas para além do Grindr e do Trumps e repares na violência que ainda existe. Que te questiones sob a forma como tantas vidas ainda são dificultadas.

Que te questiones sob a forma podes aprender com todas as bichas amigas à tua volta. E sobre o papel que tens tu também na tua própria libertação.

Bicha amiga, desejo-te apenas uma vida mais genuína e livre. Contra a tua, a minha e a nossa violência. Está na altura de levantares a voz. Bicha amiga, Quebra o silêncio e junta-te finalmente a nós."

27 dezembro, 2014

GENDERQUEER: Para Além do Género Binário! // Bichas Podcast

Que géneros existem para além de "mulher" e "homem"? Porque é que a sociedade tem tanto medo de identidades que questionam este paradigma binário? Que discriminações existem associadas à expressão de género? A comunidade LGBTQ lida bem com estas identidades (ainda menos) normativas?

Neste episódio falamos com a Alice sobre identidades de género não binárias, sobre o que é ser genderqueer, e sobre como é que uma expressão não normativa pode ser empoderadora!

"Há uma estrutura que gera opressões várias e o que muitos movimentos tentam fazer é inserir-se nesta estrutura, em vez de destruir as estruturas que geram opressão e privilégio, adquirir os privilégios. Eu não quero adquirir privilégios, eu quero destruir o patriarcado, o hetero-cis-patriarcado."



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Músicas:

Gaymous - (Let's Pretend We Don't Have) FEELINGS
http://vimeo.com/103376955

Garbage - Cherry Lips
http://youtu.be/Cy1LdAaGASw

16 dezembro, 2014

O GAYDAR EXISTE? // Bichas POPcast

Existirá, de facto, um tal sexto sentido das Bichas de se reconhecerem umas às outras na rua? Que estudos existem sobre esse assunto? Porque é que gostamos de achar que temos esse poder e essa capacidade? As bichas camuflam-se e reconhecem-se ou são só estereotipos?

Neste episódio discutimos se de facto existe esse instrumento mitológico de nome Gaydar; lançamos a rúbrica "Músicas Paneleiras Que Mudaram a Nossa Vida", respondemos a cartas no "Consultório Bichas" e falamos sobre como correu o primeiro Chá das Bichas. Espreitem!



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Consultório Bichas:

Para nos enviarem testemunhos, dúvidas e etc para o próximo consultório usem este link: http://goo.gl/forms/GVCGcpmAOz

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Música:
Smalltown Boy - Bronski Beat
http://youtu.be/Xuz94ZIPfJk

08 dezembro, 2014

CIÚMES, AMOR E POSSE: APRENDIZAGENS DO POLIAMOR // Bichas Podcast

Porque é que sentimos ciúmes? Como podemos lidar com eles no contexto de uma relação? Podem os ciúmes ser erotizados? O que é que as não-monogamias nos ensinam sobre este tema? Quantas músicas pop sobre ciúmes conhecem?

Neste episódio conversamos com a Inês Rolo do PolyPortugal sobre ciúmes, compersão e sobre passos praticos para lidar com tudo isto. (Lá pelo meio descobrimos e cantamos também o hino pimba português do ciúme.) Espreitem (:




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Sobre o PolyPortugal http://polyportugal.blogspot.pt/

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Músicas:
Robyn - Dancing on My Own
Monica Sintra - Na Minha Cama Com Ela

01 dezembro, 2014

COMO SAIR DO ARMÁRIO // Bichas POPcast

Os vossos comming outs têm corrigo bem? Que dicas é que têm para as vossas amigas bichas armariadas? Hoje falamos sobre como (e quando, e para quem e porquê) sair do armário. Em carros em movimento é boa ideia? Estar sob efeito de alcool ajuda? Como nos prepararmos? Espreitem o episódio, juntem os vossos comentários e partilhem o video com pessoas no armário.

Neste episódio do Bichas POPcast partilhamos conselhos para sair do armário com mais facilidade, respondemos a cartas do consultório, e falamos sobre filmes LGBT que estão e vão andar em breve no cinema.



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Consultótio Bichas:
Para nos enviarem testemunhos, dúvidas e etc para o próximo consultório usem este link:http://goo.gl/forms/GVCGcpmAOz

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Trailers dos filmes:
Pride - http://youtu.be/vsFY0wHpR5o
The Imitation Game - http://youtu.be/Fg85ggZSHMw
Saint Laurent - http://youtu.be/JEQJ-kkR3LA

30 novembro, 2014

Chá das Bichas - Novo Evento Periódico no MOB

É com prazer que anunciamos o novo espaço que temos doravante no MOB. O primeiro evento aconteceu no passádo sábado ( 29 de Novmebro 2014, evento no facebook)


O Chá das Bichas não é um evento, é um espaço. Um espaço que quinzenalmente abre portas no MOB a qualquer pessoa que queira (des)conversar sobre assuntos queer, feministas, activistas, transversais ou paralelos, estruturados ou aleatórios, mais ou menos sérios, muito ou nada pessoais, mas sempre de forma informal. (e com chá opcional)

Um café aberto para quem quiser conversar, ou sentar-se, ou comentar um assunto que lhe anda na cabeça, ou mencionar uma notícia cuja discussão ainda não se proporcionou, ou trocar recomendações de cultura, de festa ou de parvoeira. Qualquer coisa que ali encontre espaço.

Há muito que sentimos falta de lugares que possamos usar e recomendar a quem, como nós, valoriza ambientes queer seguros e descontraídos, até onde se possa trazer ou fazer amig@s à volta de desconversas e pacotes de açúcar.

O Mob - espaço associativo ajudou-nos a concretizar esta ideia. Sábado, dia 29 de Novembro a partir das 16h, as bichas encontrarão no MOB, um sitio para beber chá no final da tarde, e para tudo o mais que se proporcione.

Vemo-nos por lá? ♥

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Mapa do Chá no MOB:

Fotos do primeiro evento:



Posters:



24 novembro, 2014

O Direito ao Prazer! // Bichas Podcast

Neste episódio conversamos com a Carmo Gê Pereira sobre Prazer e as suas dinâmicas na nossa sociedade (vergonha, educação, auto-descoberta, aceitação, erotismo, fetiches, etc, etc)

 "Que fetiches devemos experimentar? Se percebermos que é algo que respeita os limites de consciência e de consentimento de todos os envolvidos e que conseguimos praticar de forma segura (e quando falo de "forma segura" falo de forma segura sexualmente, emocionalmente e psicológicamente) Go for it! Seja isso é cross dressing, submissão, ou rebentar balões... Porque não?"

 

 Link do video: http://youtu.be/f9WJn43GvoM 

 O site da Carmo: http://carmogepereira.com/

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links do episódio

Doc 'Inside Deep Throat' http://bit.ly/1teQKUK
Doc 'Dirty Diaries' http://bit.ly/1xUaG60

18 novembro, 2014

Bichas POPcast: Dicas Para Melhor Engate Online + Consultório Bichas,...

Novo formato!

Aqui estreamos o Bichas POP-cast. Nesta primeira edição, partilhamos dicas sobre como fazer engate online com mais sucesso, respondemos a mensagens no Consultório Bichas, falamos de cultura pop LGBTQ corrente e comentamos alguns assuntos recentes sobre coragem e discriminação.

A partir de agora intervalaremos este novo formato com o outro das entrevistas com convidados.

Espero que gostem e, já sabem, enviem-nos o vosso feedback!

Para nos enviarem testemunhos, dúvidas, etc para o próximo consultório usem este link: http://goo.gl/forms/GVCGcpmAOz




Links do episódio:
- Zebra Katz no Music Box http://bit.ly/1zvYfeg
- Série True Trans http://aol.it/1ulsCmf
- Virados do Avesso [o filme merdoso] http://youtu.be/g0eySTgwa8U

10 novembro, 2014

Juventude LGBTQ em Risco | Conversa com Rita Paulos da Casa Qui

O que acontece aos jovens que são expulsos de casa por serem LGBT? Que respostas e apoios temos disponíveis para a nossa juventude em risco? Que papel têm as organizações LGBT em criar respostas concretas para o bem estar da nossa população? Porque é que se andava por aí a cantar a Somewhere Over The Rainbow?

A Rita Paulos da Casa Qui junta-se a nós para nos algumas respostas a estas perguntas e para partilhar conosco a sua perspetica sobre a evolução do activismo LGBTQ em Portugal.



No Youtube: http://youtu.be/Ui7xV1EflMo

"O isolamento é muito maior, e os proprios factores de proteção e o suporte social não são os mesmos. Enquanto que no caso de alguém parte de uma minoria étnica ao ser discriminado na escola, a probabilidade da família partilhar essa característica é muito grande, e, portanto se houver alguma situação de discriminação, tem ali um suporte concreto em casa (o que é muito importanto, porque a família e as figuras parentais são determinantes para criar resiliência e para consolidar a auto-estima de um adolescente); aqui não temos essa garantia, e mais grave, temos muitas vezes os tecnicos e as tecnicas sem querer a chamar os pais e falar-lhes destas questões quando não devem e não podem fazê-lo sem autorização destes adolescentes e sem garantir que há um plano b se alguma coisa corre mal. E isto é de tal maneira grave que o risco de suicídio aumenta drásticamente quando a família sabe e reaje mal."

Notícia no Público: "Como lida a protecção de menores com jovens gays e lésbicas? Nem sempre bem" http://bit.ly/1tQKHrV

Casa Qui: http://www.casa-qui.pt/

03 novembro, 2014

Bichas Podcast // Famílias: Mães, Pais e Aceitação (conversa com a Amplos)

Desafio desta semana: Vejam o novo episódio com as vossas mães e os vossos pais ou mostrem-lho, e contem-nos o que é que aconteceu. (,:

"Às vezes acontece que há famílias que nos chegam, ou chega uma mãe cujo o filho lhe disse [que é LGBT] e para ela aquilo está mais ou menos a ficar estruturado, mas fica ali "arrumadinho". Ou seja, "eu sei, tu sabes, mas o resto da família não". Abre-se um bocadinho a porta do armário mas em vez de sair um, entra outro lá para dentro."

Neste episódio conversamos com a Manuela (da Amplos) sobre as mães e os pais portugueses de pessoas LGBT e as suas aflições, conflitos, apoio e o caminho para a aceitação.

Link do video: Bichas Podcast // Famílias: Mães, Pais e Aceitação



"Se o vosso filho teve a coragem e a confiança em vocês de vos confiar esta parte da vida dele, nós só temos de estar ali, ao lado dele. Como a nossa conferência se chamava "ao teu lado", e é aí que temos de estar. Ao lado dos nossos filhos."

"Às vezes acontece que há famílias que nos chegam, ou chega uma mãe cujo o filho lhe disse [que é LGBT] e para ela aquilo está mais ou menos a ficar estruturado, mas fica ali "arrumadinho". Ou seja, "eu sei, tu sabes, mas o resto da família não". Abre-se um bocadinho a porta do armário mas em vez de sair um, entra outro lá para dentro."

"Nós não sabemos, nem estamos muito preocupados em saber se uma criança vai ser transsexual, se vai ser homossexual, se vai ser heterossexual. A nós o que nos preocupa é que as crianças tenham direito a ter uma infância feliz, da maneira como elas querem fazer a sua infância. Há muita resistencia, mas felizemente já temos pais que dizem uma coisa muito boa: "Eu não vou, nem quero mudar o meu filho. A sociedade é que vai ter de mudar, não o meu filho" e isso é extremamente importante."

Sobre a Amplos: http://www.amplos.pt/

"Somos um grupo de pais que se propõe lutar por uma sociedade mais justa, opondo-nos a todas as formas de discriminação. Pela forma como nos toca enquanto pais, concentrar-nos-emos preferencialmente no combate às formas de discriminação relacionadas com a orientação sexual e identidade de género."




25 outubro, 2014

Bichas Podcast // Viver com HIV

O que é descobrir que se está infectado com VIH? Como é que as pessoas reajem quando descobrem que somos seropositivos? Qual é a melhor forma e a melhor altura para se contar a um parceiro o nosso estatuto serológico? Existem limitações na vida das pessoas VIH positivas ou nas relações entre pessoas com estatutos serológicos discordantes? De que forma é que as organizações LGBTQ têm representado (ou ignorado) este assunto e esta população situação?

Neste episódio, o João junta-se a nós e dá-nos o seu testemunho pessoal.

"Quanto nos assumimos como seropositivos parece até que a nossa identidade muda, "eu sou seropositivo" parece [querer dizer] que me é alguma coisa intrínseca. É por isso que eu costumo dizer que "nós temos uma doença", o HIV, e ter uma doença é diferente de sê-la. Eu não me importo de dizer que sou seropositivo desde que isso não me defina como pessoa e, de facto, a mim não me define."

"A questão do estigma é uma coisa que muitas pessoas sentem, e fico muito triste quando de facto vejo pessoas a serem rejeitadas só porque são seropositivas. Isto releva uma incapacidade das pessoas de lidaram com as outras e com o facto de elas serem seropositiva. Temos de desmistificar isto um bocadinho. Eu gostava que as pessoas que ouvissem este podcast, se de facto estão infectadas com certeza vão empatizar comigo, mas as que não estão que percebessem que nós continuamos a ser pessoas e seres humanos e que continuamos a ter sentimentos e direitos. Temos direito a amar e a tudo o que as outras pessoas têm.

"Há um medo de voltar a rotular as pessoas da comunidade lgbt com esta coisa do HIV, mas de facto não termos de ter medo de rotular, temos que abordar as coisas com seriedade e perceber que se nós não as abordarmos assim, elas vão ficar ainda maiores. Gostava muito que as associações LGBT que me representam (a mim também!) fizessem um esforço maior por me representar, não só a nível da minha orientação sexual, mas também daquilo que é a minha doença. Acho muito grave que as principais organizações continuem a assobiar para o lado. Custa-me a ver a comunidade a adoecer, e a não ver nenhuma mensagem ou colaboração destas organizações."

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Links do video:
Checkpoint LX: http://www.checkpointlx.com/
GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA http://www.gatportugal.org/

AIDS map: http://www.aidsmap.com/
The Body: http://www.thebody.com/

20 outubro, 2014

Bichas Podcast // Infeções Sexualmente Transmissíveis (Parte 1)

Porque é que se diz agora "Infecções" em vez de "Doenças Sexualmente Transmissíveis"? Acham que estas se esgotam no HIV? Devemos, de facto, preocuparmo-nos com o Vírus do Papiloma Humano (HPV)? Quais os riscos e praticas mais seguras associadas às diferentes praticas sexuais?

Neste episódio conversamos com a médica Maria José Campos do CheckpointLX e esclarecemos muitas questões associadas a estas e a outras perguntas. Espreitem.

 

A Maria José é coordenadora científica do CheckpointLX, "um espaço de serviço confidencial e gratuito de rastreio da infeção pelo VIH, dirigido a homens que têm sexo com homens (HSH) e que promove o acesso à prevenção e à saúde sexual de uma forma eficaz e integrada na realidade desta comunidade através de um aconselhamento personalizado". Para mais informação: www.checkpointlx.com

 (Como o episódio se acabou por alongar mais do que estávamos à espera, as respostas às perguntas que reunimos da nossa comunidade do Facebook ficam para a parte número 2 deste vídeo.)

13 outubro, 2014

Bichas Podcast // Linguagem Inclusiva

O verbo "denegrir" é racista? Porque é que os insultos são quase sempre às mães ou ao lado feminino? Dá para ter uma linguagem oral de género neutro em português e em inglês?

Neste episódio conversamos com o Simão sobre linguagem mais e menos inclusiva, alternativas de género neutro em português e em inglês, expressões e estruturas sexistas, racistas e discriminatórias, e as suas alternativas. Espreitem!


 

06 outubro, 2014

Bichas Podcast // Tema: Juventude Drag

Esta semana falamos com o Gustavo e o João sobre a nova geração drag em Portugal. Porque "se quiseres ter o baton borrado, tem o baton borrado!", "não precisamos todos de tentar ser a Mariah Carey em 92».

 

28 setembro, 2014

Nova Temporada do Podcast agora em video: Episódio sobre Transição com Duarte Gaio

Neste retorno da Rádio Bichas (e agora em versão video!) começamos com uma conversa sobre transição e vivências trans com o convidado Duarte Gaio. Dificuldades, desafios, discriminação, interseção com o sexismo, recursos e apoio. Ouçam.

"eu começei a minha transição física não só para me seentir bem comigo próprio mas porque as pessoas olhavam para mim na rua e viam uma mulher, ou seja, falavam comigo como falam com uma mulher (não deveria haver diferença, mas a verdade é que há), era tocado na discoteca como tocam uma mulher recebia piropos, como dão piropos a uma mulher e isso fazia-me sentir péssimo (...)

"mas agora que começo a "passar" como rapaz, começo a notar que [já] não há nada disso, os piropos, essas coisas, e é um privilégio enorme! Ok, muitas pessoasl olham para mim como se eu fosse um rapaz gay e isso é uma coisa má nesta sociedade porque me podem ofender, mas ainda assim é tão melhor do que ser visto como uma mulher."

 

 O canal de youtube do Duarte é este e ele deixou-nos os seguintes recuros para pessoas interessadas em ter ainda mais informação sobre este tópico:

 Um blog FTM (female to male) http://ftmsextalk.tumblr.com/

 "No lado direito tem alguns tags consoante o que te interesse saber/ver. É um blog com uma grande base de apoio e informação mas também muito explícito (conteudo sexual). A ideia é mostrar corpos diferentes, formas de obter prazer sexual pouco ou nada faladas e explicações sobre todo o processo, numa tentativa de tirar dúvidas (a toda a gente) de maneira acessível.

 Uma das pessoas que criou o blog chama-se Chase e é um ftm canadiano bastante conhecido como activista e no mundo do youtube" (http://www.youtube.com/user/uppercaseCHASE1/videos)

18 setembro, 2014

Novo Video - Heteros Mirones

Sobre reacções a demonstrações públicas de afecto entre pessoas do mesmo sexo e pessoas que não conseguem deixar de fazer olhares creepy.

19 agosto, 2014

«Sê Corajosa, Bicha», um hino de verão patrocinado pela Britney Spears

Pois é. O programa de rádio pode ter ido de férias durante o verão mas nós não vos deixamos quais Ágatas abandonadas pelo Bichas.

Após intensas semanas de labuta fechada no estúdio, finalmente vos podemos apresentar - em todo o seu esplendor! - o lyrics vídeo daquilo que começou por ser uma paródia à recente história do Cláudio Ramos e do Esquadrão do Rancor e acabou por se tornar antes num pseudo hino às Bichas Indiscretas dos 5 continentes.

Resumindo, é basicamente um remake (remix? cover? paródia?) da Work, Bitch da Britney Spears com auto-tune amador e vozes afónicas à mistura. Porque sim.

Cliquem, dancem e karaokem com cautela. (:


 

21 junho, 2014

Discurso das Bichas na Marcha do Orgulho 2014 (Video)

Dezanove
Estivemos na marcha do orgulho LGBT deste ano de Lisboa com o tema "Bichas Unidas e Destemidas // A Coragem é Mágica."

Este foi o nosso Discurso:

"As Bichas estão hoje na marcha para relembrar aquilo que achamos ser o fundamental; a existência de uma comunidade queer corajosa, asertiva, solidária e verdadeiramente aberta à sua diversidade.

Porque somos muitas, muitas mais do que as que aqui estamos, muitas mais do que as que conhecemos, muitas mais que as das falsas estatísticas que escrevem sobre nós. Que se fodam os 10, os 15 e os 20%. muitas, muitas mais.

Somos muitas e também muito diferentes entre nós. Mas tão poucas, aqui. Tão poucas informadas. Tão poucas feministas, Tão poucas solidárias, Tão poucas disponíveis, tão pouco orgulhosas.

Vivemos numa bolha LGBT onde ainda franzimos os olhos a representações femininas e feministas, a representações trans, queer e VIH positivas. Numa comunidade que insite em separar a festa da política, uma comunidade que teima em fugir de marchas para se esconder em arraiais. Uma comunidade onde quem mais lucra com a ela treme de medo de qualquer conotação política.

Uma comunidade resumida em equipas de rugby gay auto-proclamadas heroicas que se recusam a andar ao nosso lado na marcha mas que vendem, despidos cervejas e cervejas no arraial. Uma comunidade de bares e clubes de sexo bear no príncipe real que enriquece com o turismo gay mas que foge à minima ideia da luz do dia e da visibilidade política. "Marcha do orgulho? Ewwww eu não sou activista."

Um país de figuras mais e menos públicas queer que ainda temem expressões de género não binárias e que se recusam a lutar por uma parentalidade plena. Aliás, um país onde governantes armariadamente gays retiram direitos às familias homoparentais, mais onde a comunidade queer se levanta é contra os outings. Porque somos bem comportadas. E hà que ter uma agenda que não antagonize ninguém..

Um país de tecnicos de saúde, polícias e políticos orgulhosamente ignorantes e agressivos. Mas onde ainda temos de andar atrás (sobretudo) dos homens gays para lhes explicar o que é a homofobia e para lhes provar por "A mais B" que a discriminação existe, tão dentro que se escondem dentro dos seus armários. 

Um país onde mais pessoas vão celebrar o orgulho a Madrid do que a Lisboa e onde ainda temos organizações a boicotar o trabalho de colectivos e grupos mais pequenas na sua própria ganância. Um público LGBT essencialmente anti activismo, anti política, anti mudança, anti coragem.

E nós que tantas vezes provámos e continuamos a provar sermos melhores que tudo isto.

Mas as bichas hoje não sugerem soluções. Hoje, as bichas só querem marchar, dançar e relembrar que temos de sair da nossa zona de conforto. Que temos de chegar a quem não está já no meio de nós e introduzir nas agendas não só o que é politicamente correcto, mas o que é essencial, honesto, completo.

Que questionemos todos aqueles que hoje cá não estão connosco e que os puxemos para fora do armário. Porque as nossas irmãs e os nossos irmãos e a sua educação são prioritárias se queremos um mundo verdadeiramente diverso, feminista, inclusivo, melhor.

Por todas, todas. Sejamos mais audázes."


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Notícia no Dezanove, aqui:
Porque foram as Bichas Cobardes as mais aplaudidas da Marcha do Orgulho LGBT?

06 junho, 2014

Bichas Cobardes na Rádio Zero

Olá nação,

Desde dia 23 de Março integramos oficialmente a Rádio Zero e lá temos o nosso programa semanal que pode ser ouvido, a qualquer altura, na nossa páguina de mixcloud ou domingos às 18:03 na Zero.

Temos agora acesso um estúdio de rádio que nos possibilita gravarmos episódios com qualidade e trazer convidados para falar connosco sem grandes limitações. Tem sido uma experiência fantástica.

Nestes últimos dois meses tivemos muitos, muitos temas e também bastantes convidad@s com os quais nos orgulhamos de ter tido o prazer de conversar (Carlos Reis, Fernando Santos/Deborah Kristall, a historiadora Marina Cavicchioli, Inês Rolo (PolyPortugal), Júlia Pereira (activista trans*).

Espreitem-nos e sigam-nos, se não o fazem já. Sugestões que tenham para temas, tópicos e discussões, enviem-nas na nossa direcção.